o uivílio varreja o lageiro
pairageado nas folheadas
mas nem gritadílios arrivam
nem escapitam orelhadas
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
à beira-fome plantado
Como te dizer da chuva, fora da vidraça, se ela me inunda os ossos e me tolhe o movimento na humidade dos olhos. Como te dizer do sol se ele se esconde na vedação dos pomares onde nunca cresci, nas searas que nunca colhi, na água que me roubaram quando nasci. Como te dizer dos outros se nem de ti mãe eu lembro sequer as mãos. Como te dizer do futuro se nem sei escrever os dias e o meu pai é uma pedra que nunca vi. Como te dizer do amor se o meu coração dispara balas de fome e se vende a qualquer nome. A ponte onde moro é uma janela trucidada e as vistas enferrujaram até aos longes da minha infância. Sou o meu país órfão à beira-fome plantado.
quando me dá para escrever
há uma cidade louca dentro das palavras
que nasce prematura dentro de mim.
vou e quase chego já o dia vai a meio
e eu corro atrás mas a ponte é sem fim.
então vejo arder uma fogueira no contrário da sombra
que se move irada no canto das brasas,
e um rio que escorre na esquálida margem
de uns lábios que se abrem como asas.
e, ouço um sussurro, do que ao longe entendo,
eco de ideias que queimam crescendo,
e são os olhos, as mãos, as pernas correndo
à alta montanha do coração.
e há um sol que me aquece dos pés à razão
numa terra que se cobre de um verde liberto
onde pairam aves de infindas vitórias
e tenho árvores sempre novas num verbo desperto
lá no fundo da alma, à janela das memórias.
que nasce prematura dentro de mim.
vou e quase chego já o dia vai a meio
e eu corro atrás mas a ponte é sem fim.
então vejo arder uma fogueira no contrário da sombra
que se move irada no canto das brasas,
e um rio que escorre na esquálida margem
de uns lábios que se abrem como asas.
e, ouço um sussurro, do que ao longe entendo,
eco de ideias que queimam crescendo,
e são os olhos, as mãos, as pernas correndo
à alta montanha do coração.
e há um sol que me aquece dos pés à razão
numa terra que se cobre de um verde liberto
onde pairam aves de infindas vitórias
e tenho árvores sempre novas num verbo desperto
lá no fundo da alma, à janela das memórias.
domingo, 3 de outubro de 2010
coisas
há uma jurisprudência nas pedras
antigas como o fogo
ligam-nas o tempo de onde vêm
numa história calada e concertada
há um sentido no brilho
dos seixos lavados
como os olhos das cidades
que nos fitam
há um som que vem de longe
do fim dos espaços
galáxia das noites fundas
nebulosa pensante
que invade a multidão
dos mares.
há toda uma vida corrida
nos cravos da liberdade
das montanhas suspensas
nos céus
tudo é infinito e belo
nas mãos da grandeza dos sentidos
eu busco, porém além de tudo
a purpura prisioneira
do sangue das coisas
e certeza das pedras
aquém de mim.
antigas como o fogo
ligam-nas o tempo de onde vêm
numa história calada e concertada
há um sentido no brilho
dos seixos lavados
como os olhos das cidades
que nos fitam
há um som que vem de longe
do fim dos espaços
galáxia das noites fundas
nebulosa pensante
que invade a multidão
dos mares.
há toda uma vida corrida
nos cravos da liberdade
das montanhas suspensas
nos céus
tudo é infinito e belo
nas mãos da grandeza dos sentidos
eu busco, porém além de tudo
a purpura prisioneira
do sangue das coisas
e certeza das pedras
aquém de mim.
corpo longo
Na rua das sombras te procuro
entrecortada de luz que oscila
nas paredes frias de vão escuro
um gosto a sal, gesso, argila
Corpo longo deslizando duro
tocando luas em branca fila
suspensa do nada em mim seguro
pela névoa enlaço a nua vila
E nada alcanço, cortado o gesto
desencontrada de mim, serei um
corpo sem voz, sem nome algum
Sou no vazio da solidão um resto
de rua perdida de amor nenhum
e que sem querer se perdeu num.
entrecortada de luz que oscila
nas paredes frias de vão escuro
um gosto a sal, gesso, argila
Corpo longo deslizando duro
tocando luas em branca fila
suspensa do nada em mim seguro
pela névoa enlaço a nua vila
E nada alcanço, cortado o gesto
desencontrada de mim, serei um
corpo sem voz, sem nome algum
Sou no vazio da solidão um resto
de rua perdida de amor nenhum
e que sem querer se perdeu num.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
talvez o punhal
hoje sem falta, de manhã, traz os pés, as pernas, não esqueças as mãos e os braços que sem eles não se abraça, a boca para me falar os olhos para me ver. traz a alma para que toque na minha um pouco de luz. traz o amor e os beijos que a sede aperta. traz o poema do teu peito para que eu respire...
ou traz um punhal e acaba-me a dor
mas vem
(apunhalar-me de amor)
ou traz um punhal e acaba-me a dor
mas vem
(apunhalar-me de amor)
eu amo
rio,
eu rio, perdi o juízo
não lembro quando nem onde,
talvez me fosse roubado,
ou acaso extraviado
na certa perdi-me dele.
tenho uma branca
no corte da ideia
corre a máquina zero.
saltam outras tantas
da guilhotina.
e reparo:
mas onde pus a cabeça?
sinto-me rir é certo
mas os lábios?
quem os apagou
que os não vejo em mim?
como dizer agora os verbos
sem que a razão troce?
como cuspir estas moscas
que se chocam nos neurónios?
saio estrada fora atrás de bichos
que me comam o pensamento
ratos de letras,
que contaminem palavras coadas
de metafísica em factos.
quem me enfiou cabelos na boca?
que boca? que lábios? que riso?
eu amo...
eu rio, perdi o juízo
não lembro quando nem onde,
talvez me fosse roubado,
ou acaso extraviado
na certa perdi-me dele.
tenho uma branca
no corte da ideia
corre a máquina zero.
saltam outras tantas
da guilhotina.
e reparo:
mas onde pus a cabeça?
sinto-me rir é certo
mas os lábios?
quem os apagou
que os não vejo em mim?
como dizer agora os verbos
sem que a razão troce?
como cuspir estas moscas
que se chocam nos neurónios?
saio estrada fora atrás de bichos
que me comam o pensamento
ratos de letras,
que contaminem palavras coadas
de metafísica em factos.
quem me enfiou cabelos na boca?
que boca? que lábios? que riso?
eu amo...
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